Ponte da US-1 atravessando o mar turquesa entre duas ilhas dos Florida Keys

Sul da Flórida e Keys

Trópico de verdade, pântano de água doce e a estrada que corre sobre o mar

Bases: Miami · Naples · Key West

Abaixo de uma linha imaginária que corta a península na altura de Fort Myers, a Flórida vira outra coisa. O clima deixa de ser subtropical e passa a ser tropical de verdade, o único do território continental dos Estados Unidos. Geada não acontece. A vegetação muda: entra mangue vermelho e uma lista de árvores que, fora daqui, só existem no Caribe.

O centro dessa região não é uma cidade, é um rio. Os Everglades são um lençol de água doce com 100 km de largura e poucos centímetros de profundidade, que escorre devagar do lago Okeechobee até a baía da Flórida ao longo de meses. Não é pântano parado. É o único ecossistema do mundo onde jacaré americano e crocodilo americano convivem, e o parque nacional que protege parte dele foi criado em 1947 depois de uma campanha liderada por Marjory Stoneman Douglas, que chamou o lugar de rio de capim.

A descida pelos Keys

A US-1 sai do continente ao sul de Miami e atravessa cerca de 160 km de arquipélago de coral até Key West, saltando de ilha em ilha por 42 pontes. A Seven Mile Bridge é a mais longa delas. A estrada é de pista simples em boa parte do trajeto, o que significa que um caminhão lento define a velocidade de todo mundo por vinte minutos seguidos.

Key West é o ponto mais ao sul do país continental, mais perto de Havana do que de Miami. Bahia Honda, no meio do caminho, tem a melhor praia de areia dos Keys, o que é uma raridade num arquipélago quase todo de rocha e mangue.

As ressalvas

O calendário é o oposto do que o brasileiro imagina. A alta temporada aqui é de dezembro a março, quando o ar fica em 25 °C, o mosquito some e chove pouco. É a melhor época e a mais cara, com hotel nos Keys reservado com meses de antecedência.

O verão é castigo: 33 °C com umidade que não cede, chuva quase diária e mosquito nos Everglades em quantidade que decide o passeio por você. A temporada de furacão vai de 1º de junho a 30 de novembro, com pico entre agosto e outubro, e nos Keys uma evacuação obrigatória não é hipótese remota.

E tem a distância. De Orlando a Key West são cerca de 7 horas de carro sem parada. Isso não cabe em bate-volta, e quem tenta fazer os Keys em um dia saindo de Miami passa oito horas no carro para ver uma placa.

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