Doca de madeira em Islamorada ao entardecer com barcos de pesca amarrados e água rasa esverdeada
DESTINO · ISLAMORADA

Islamorada

Seis ilhas emendadas que se declaram capital mundial da pesca esportiva, e conseguem sustentar a frase

O que você precisa saber

Dados revisados em 10 de ago. de 2026

Trecho da US-1
MM 90 a 72
seis ilhas administradas como uma vila só
De carro desde Miami
1h40
cerca de 85 milhas pela Overseas Highway
Vila incorporada em
1997
antes disso eram povoados separados sem prefeitura
Furacão do Dia do Trabalho
Setembro de 1935
categoria 5, destruiu a ferrovia e matou centenas
Alimentar tarpon nas docas
Balde de peixe barato
cobra-se o balde e a entrada da doca à parte; confirme
Charter de meio dia
Item mais caro do dia
preço por barco, não por pessoa, na maioria dos operadores
Anne's Beach
Pública e gratuita
MM 73, água rasa e passarela de madeira sobre o mangue
Sandbar
Só de barco
banco de areia que aparece na maré baixa, lotado no fim de semana
Mosquito no fim de tarde
Constante
pior de maio a outubro, nas áreas de mangue

verificado confirme antes de sair leitura editorial

Uma vila que é feita de barcos

Islamorada não tem centro, não tem praça e mal tem calçada. O que ela tem é uma sequência de dezoito milhas de US-1 com marina de um lado, restaurante de deck do outro e um número improvável de barcos por habitante. A vila reúne seis ilhas, entre elas Plantation Key, Windley e as duas Matecumbe, que só viraram uma administração única em 1997.

O apelido que ela mesma se deu é capital mundial da pesca esportiva. Título assim costuma ser propaganda, e neste caso a geografia sustenta boa parte da frase: a poucos quilômetros de doca você tem, de um lado, os bancos rasos e a água de dois palmos da Florida Bay, e do outro a queda do platô continental e a corrente do Golfo passando perto da costa. Duas pescarias completamente diferentes na mesma manhã, o que praticamente não existe em outro lugar do país.

Isso define o público. Islamorada serve muito bem a quem vai entrar num barco, e serve mal a quem quer areia, balada ou centro histórico para caminhar.

O furacão que apagou a ferrovia

Em 2 de setembro de 1935, no feriado do Dia do Trabalho americano, um furacão de categoria 5 entrou exatamente por aqui. A pressão medida foi uma das mais baixas já registradas no Atlântico e a maré de tempestade passou por cima das ilhas, que têm poucos metros de altura. Morreram centenas de pessoas. Boa parte era veterano da Primeira Guerra Mundial, trabalhando em acampamentos de obra de uma rodovia federal, e o trem enviado para evacuá-los chegou tarde e foi virado pela água.

A ferrovia de Henry Flagler, inaugurada em 1912 e considerada a obra impossível da época, foi destruída em vários trechos e nunca mais operou. O estado comprou o que sobrou e construiu a rodovia por cima dos pilares. É por isso que você dirige hoje sobre pontes de concreto com uma segunda ponte velha correndo ao lado, quebrada em pedaços.

O monumento no MM 82, erguido em 1937 com pedra local, guarda cinzas das vítimas. Leva dez minutos de visita, é gratuito e muda a forma como você olha para as ilhas pelo resto da viagem. As Keys são baixas, estreitas e ligadas por uma única estrada. Isso não mudou.

O que fazer

Pescar. É o motivo de existir da vila. Backcountry é o barco de fundo chato na água rasa do lado da baía, atrás de tarpon, bonefish e permit, com pouco balanço e muita técnica. Offshore é o barco grande cruzando para a corrente do Golfo atrás de dolphinfish, wahoo e atum. O charter privado se vende por barco e por período, o que é ótimo para grupo de quatro e ruim para casal. Existem também as party boats, barcos grandes de fundo com preço por pessoa e pescaria mais simples. Confirme sempre os valores.

Alimentar o tarpon. O programa mais barato e mais impressionante daqui. Em algumas marinas que mantêm a prática há décadas, dezenas de tarpon de mais de um metro e meio ficam parados na sombra das docas esperando. Você compra um balde de peixe pequeno, joga, e eles sobem com a boca escancarada, do tamanho de um balde. Cobra-se o balde e, em geral, uma entrada da doca à parte, ambos valores baixos que vale confirmar no lugar. O pelicano rouba o peixe da sua mão sem pedir licença.

Theater of the Sea, em Windley Key, funciona desde 1946 e é um dos parques marinhos mais antigos do mundo, montado numa antiga pedreira alagada. Entrada paga, e vale confirmar valor e programação.

Windley Key Fossil Reef, parque geológico estadual na pedreira de onde saiu a rocha para a ferrovia. Custa poucos dólares, tem trilha curta e as paredes cortadas mostram coral fossilizado em corte, coisa rara de ver em terra.

Indian Key e Lignumvitae Key são parques estaduais só acessíveis por barco ou caiaque, com ruína de um povoado do século 19 num caso e mata tropical intocada no outro. Programa de meio período para quem já ficou dois dias na vila.

Onde comer

A categoria dominante aqui é a fish house de marina, e a variação local se chama hook and cook: você entrega o peixe que pescou, já limpo pela tripulação, e a cozinha prepara grelhado, empanado ou blackened, cobrando o preparo e os acompanhamentos. É a refeição mais característica destas ilhas e sai bem mais barata que pedir o mesmo peixe no cardápio.

Sem barco, o cardápio padrão é peixe fresco do dia, conch fritter, camarão do Golfo e, na temporada, lagosta espinhosa das Keys. O smoked fish dip, uma pasta de peixe defumado servida com bolacha, é entrada obrigatória e quase toda casa faz a sua. Almoço casual sai por US$ 20 a 35 por pessoa; jantar de restaurante de deck com vista para a baía sobe para US$ 45 a 80. São estimativas.

Entre as instituições antigas está o Green Turtle Inn, aberto em 1947 na beira da US-1, um dos restaurantes mais antigos ainda em operação nas Keys. Confirme horário e se está funcionando antes de contar com ele. E há a key lime pie, que aqui se leva mais a sério do que em qualquer outro lugar do arquipélago, inclusive na versão congelada, coberta de chocolate e espetada num palito.

Onde ficar

Lado da baía, oeste. Deck de pôr do sol, água calma e a maioria das hospedagens pequenas de charme. Caro no inverno e o mais agradável para ficar parado.

Lado atlântico, leste. Resorts maiores, com marina, piscina e areia importada. Diária mais alta e público de família.

Beira da US-1. Motéis simples e pousadas de poucas unidades encostadas na rodovia. É o que ainda existe de barato aqui, e barato em Islamorada continua sendo mais caro que em Key Largo. O ruído de caminhão à noite é real.

Estimativas de diária de quarto duplo: US$ 200 a 320 fora de temporada e US$ 320 a 600 entre janeiro e abril. Setembro cai bastante, com o risco de furacão embutido no desconto.

Como chegar e circular

De Miami são 1h40 e cerca de 85 milhas, quase tudo em pista única depois de Florida City. Do aeroporto de Miami, some meia hora. De Orlando são cerca de cinco horas e meia, o que só faz sentido dentro de uma viagem maior pelas Keys. Não há aeroporto comercial na vila; o mais próximo com voo regular é o de Marathon, pequeno e de operação limitada, e na prática todo mundo chega de carro.

Circular exige carro. Os pontos ficam espalhados por dezoito milhas de rodovia, não há transporte público e caminhar na beira da US-1 é desagradável. Quem aluga bicicleta se limita ao trecho da própria hospedagem. Ponte levantada e acidente param a única estrada, então dê folga em qualquer horário marcado.

Quanto custa o dia

Por pessoa, com quarto duplo dividido, comendo fora e sem voos: cerca de US$ 140 a 190 no econômico, dormindo em motel de estrada, almoçando sanduíche de peixe e usando o dia em Anne’s Beach, no tarpon das docas e no parque da pedreira. De US$ 250 a 350 no médio, com hospedagem melhor, dois restaurantes por dia e uma cadeira em barco compartilhado. Acima de US$ 500 se entrar um charter privado dividido entre poucas pessoas ou um resort de frente para o mar em fevereiro.

São estimativas, e a variação sazonal é violenta: a mesma cama sai pela metade do preço em setembro.

Quanto tempo ficar

Uma noite é o padrão que funciona. O dia se organiza em torno do barco, que sai cedo, e sobra a tarde para a pedreira, as galerias e o tarpon.

Como parada de duas horas a caminho de Key West, também funciona muito bem, e é assim que a maioria dos brasileiros vai conhecer a vila. Duas noites só se pescar for o motivo principal da viagem e você quiser fazer backcountry num dia e offshore no outro.

Melhor época para ir

Lotação relativa por mês. Melhores meses: Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Novembro.

melhor época movimento normal cheio ou chuvoso

Como visitar

Charter se cobra por barco

A maioria dos operadores de pesca vende o barco inteiro por período, não a cadeira. Um grupo de quatro divide bem, um casal paga caro pelo mesmo passeio. Existem saídas compartilhadas em barco grande, com preço por pessoa e outro tipo de pescaria. Pergunte qual dos dois formatos você está comprando antes de fechar.

Backcountry ou offshore

São duas pescarias diferentes. Backcountry é água rasa do lado da baía, barco de fundo chato, tarpon e bonefish, com pouco balanço. Offshore atravessa a corrente do Golfo atrás de dolphinfish e atum, com mar aberto e enjoo garantido para quem sofre disso. Escolha antes, porque não dá para trocar no meio.

Quase nada é praia

Islamorada é doca, marina e restaurante na beira d'água, não faixa de areia. A praia pública é Anne's Beach, no MM 73, rasa e curta. Boa para criança pequena, frustrante para quem esperava mar aberto. Bahia Honda continua sendo a resposta de areia nas Keys.

A estrada é uma só

A US-1 é pista única em quase toda a vila e não existe rota alternativa. Acidente, obra ou ponte levantada param tudo. Some pelo menos vinte minutos de folga em qualquer horário marcado, principalmente em voo de volta saindo de Miami.

Um dia inteiro, hora a hora

  1. 8h00 Saída do barco Charter de pesca sai cedo, normalmente entre 7h e 8h. É o compromisso que organiza o dia inteiro em Islamorada, e chegar atrasado significa perder a maré.
  2. 12h30 Cozinhar o que você pescou Vários restaurantes de marina preparam a sua captura limpa pelo próprio barco, cobrando pelo preparo e pelos acompanhamentos. Chama-se hook and cook e é a refeição mais característica daqui.
  3. 14h30 Windley Key e a pedreira Um parque geológico estadual ocupa a antiga pedreira de onde saiu a rocha de coral fossilizado usada na ferrovia de Flagler. As paredes cortadas mostram o coral em corte transversal, o que quase não se vê em outro lugar.
  4. 16h00 O tarpon das docas Peixes de mais de um metro e meio circulam sob as docas de marina esperando comida. Vende-se balde de peixe pequeno para jogar, e eles sobem com a boca aberta. É o programa mais barato e mais impressionante da vila. Cuidado com os dedos e com o pelicano.
  5. 17h00 Galerias da Morada Way Um punhado de quadras com ateliê, galeria e loja de dono, o pedaço mais parecido com um centro que a vila tem. Fecha cedo em dia de semana.
  6. 19h00 Jantar de frente para a baía O lado oeste pega o pôr do sol sobre a Florida Bay, e os restaurantes de deck disputam essa mesa. Reserve, principalmente entre janeiro e abril.

Perguntas sobre Islamorada

Quanto custa pescar em Islamorada?

Depende inteiramente do formato. O charter privado é vendido por barco e por período, e um meio dia costuma ser o item mais caro do seu dia na vila; dividido entre quatro pessoas fica razoável, entre duas fica pesado. O barco compartilhado de fundo, com preço por pessoa, sai por uma fração disso. Confirme sempre, porque os valores mudam por temporada.

Vale a pena parar em Islamorada indo para Key West?

Vale pelo menos uma parada de duas horas, mesmo sem dormir. Alimentar o tarpon nas docas leva quinze minutos e é o tipo de coisa que fica na memória da viagem; Anne's Beach é gratuita e resolve um banho rápido. Se você quiser pescar, aí não é parada: é um dia inteiro e uma noite.

Dá para alimentar tarpon em Islamorada?

Dá, nas docas de algumas marinas que mantêm a prática há décadas. Compra-se um balde de peixe pequeno na loja e joga-se para os tarpon que ficam parados na sombra da doca. São animais de mais de um metro e meio que sobem com a boca aberta e assustam de perto. Cobra-se o balde e, em geral, uma entrada da doca à parte.

Islamorada tem praia?

Tem uma pública, Anne's Beach, no MM 73, com passarela de madeira sobre o mangue e água que vai pela cintura por muitos metros. É boa para criança pequena e ruim para quem quer nadar. O resto da vila é doca e costão de rocha. Nas Keys, praia de areia larga só em Bahia Honda, a uma hora daqui.

O que é o monumento do furacão de 1935?

Um monumento de pedra calcária no MM 82 que guarda as cinzas de vítimas do furacão do Dia do Trabalho de 1935. Foi um categoria 5 que passou por cima destas ilhas, destruiu a ferrovia de Flagler e matou centenas de pessoas, entre moradores e veteranos da Primeira Guerra alojados em acampamentos de obra. É pequeno, é gratuito e explica muita coisa sobre as Keys.

Dados revisados em 10 de ago. de 2026

Fontes: Florida State Parks — Windley Key Fossil Reef Geological State Park · NOAA — Florida Keys National Marine Sanctuary · FWC — Saltwater Fishing Regulations · Visit Florida — Florida Keys . Preços, horários e regras mudam sem aviso — confirme na fonte oficial antes de sair. Como verificamos.